Os sentidos e a execução começam em nossa base. E o que seria ela?

 

Hoje em dia, muito se fala e se escreve sobre a dita “Dança do Ventre” (Brasil e América Latina), “Bellydance” (nos EUA e países de língua inglesa), “Bauchtanz” (na Alemanha e Áustria) e Raks Sharki no Egito.
Por todo o mundo, os mais diferentes expoentes desta arte tentam explicar as origens dela, e as “pseudo regras” que ditariam como ela deveria ser executada. Na verdade, é uma audácia que nós, ocidentais, tentemos regrar algo que não pertence à nossa cultura, mas de qualquer maneira, a profissionalização desta prática traz consigo uma enorme responsabilidade no sentido de compartilhar informações que sejam verídicas e passíveis de confirmação.
Para falar sobre o básico desta forma de dança, não temos opção a não ser retornar aos primórdios dela, e observar lá longe, até onde podemos, e de alguma maneira alcançar como tudo começou.
Os registros mais antigos de que se tem notícia, de uma dança parecida com aquela que executamos hoje, vem das dançarinas Ghawazee no Egito. Escrevi uma longa matéria sobre este assunto que pode ser visitada no endereço: https://lulushangrilahouse.blogspot.com/2012/06/
Estas mulheres dançavam com os pés muito próximos do chão, na maior parte do tempo. Com isso quero dizer que, o que hoje utilizamos em grande parte de nossa apresentação como facilitação do deslocamento, a meia ponta, praticamente não existia nesta dança natural ou “orgânica”. Quando o pé saia do chão, saia literalmente, e as pisadas também eram claramente sentidas durante a manifestação dançante.
Mais tarde, na dança de dentro de casa, depois do café ou chá e com a família presente, a dança Baladi no Egito também traz muito desta relação estreita do movimento corporal com o chão. Os pés muitas vezes descalços dentro de casa, e a movimentação livre e simples, relembram o que estas ciganas do passado faziam para sobreviver. Os ritmos mais presentes eram mais rápidos e energéticos, como o Falahi, Malfuf, Baladi, Maksoun.
Podemos então destacar que uma das bases da Dança Oriental é o contato dos pés com o chão. Como sentimos nossa base, como a utilizamos, para a percepção do pulso da música e de sua vibração. Os ritmos mencionados acima são binários e quaternários, curtos e mais simples, o que nos leva novamente à qualidade orgânica da dança.
Uma das primeiras percepções a ser construída no aprendizado da dança árabe é a percepção do pulso da música, ou sua “batida do coração”. Nesta dança mãe, Ghawazee, o pulso determina toda a movimentação das bailarinas e constitui a base de construção do improviso, que sempre respeita a comunicação entre as bailarinas como peça fundamental na apresentação.
Hoje em dia temos a Dança Tribal, que retoma estes elementos e reverbera a comunicação corporal dentro da dança como uma ponte essencial para a construção da performance. O que nasceu lá atrás, de forma natural, hoje é caminho a ser aprendido.

 

Básico de a a z

Por Lulu Sabongi

Foto shutterstoc