O caminho é tão importante quanto “chegar lá”
Vivemos em tempos imediatistas. Com o advento da Internet, e a popularização das redes sociais, a sociedade segue se adaptando a hábitos instantâneos – tudo ao alcance de um clique, em um segundo, com um toque. Podemos não perceber, mas essa forma de enxergar o mundo tem reflexos profundos, que vão se enraizando em nós.
Para dar um exemplo palpável: no Instagram, você acessa uma foto de uma modelo, muito bem produzida, lindíssima. Uma foto pronta. Por trás daquela imagem, houve todo um processo de construção – desde a produção daquele ensaio em um dia específico, contando com uma equipe de maquiagem, cabelo, figurinista, luz adequada para a foto, até algo mais longo e trabalhoso, que é todo o conceito por trás daquele shooting – meses de pesquisa e reuniões para se chegar aquele resultado, com o trabalho de dezenas de profissionais de diversas áreas. Mas o que chega para nós? O produto final, apenas. Sem entrar nos méritos de quão real ou distorcida da realidade é essa figura (este é um assunto para outra matéria…), o fato é que a massificação e o bombardeamento pelo qual passamos com as redes sociais “normatizam” este tipo de imagem. E sem querer nos pegamos pensando: “por que eu não sou assim como ela e tantas outras que vejo todos os dias?”. Muitas vezes, não paramos para refletir sobre a construção daquilo que se vê.
Transportando essa mesma linha de raciocínio para a dança: vemos uma bailarina ou bailarino que admiramos no palco, ou na Internet, com uma técnica impecável, uma coreografia surpreendente, única, uma produção incrível, fazendo sucesso, tendo visibilidade, sendo contratado para eventos, ganhando competições, abrindo escolas de dança. E pensamos: “ah, mas por que não eu?”, ou “por que sempre os mesmos estão em evidência?”. Esta pergunta é não só válida como necessária para analisar o seu caminho e evolução. Mas você já parou para pesquisar mais a fundo sobre a trajetória daquele artista? Tudo o que ele fez e continua fazendo para estar naquele “lugar privilegiado”?
Pense nisso. Muitas vezes, só vemos o resultado. E o esforço fica no anonimato. A construção da sua carreira de dança, o percurso, os erros e acertos, são tão ou mais importantes do que chegar a determinado objetivo. Porque essa meta passará, e outras virão, mas as lições adquiridas e a evolução no caminho moldam quem você é.
Nada mais ilustrativo do que trazer aqui um pouco mais da história e conquistas das duas vencedoras das categorias profissionais do Festival Shimmie São Paulo nesta edição dedicada ao evento: Giselle Bellas (1º Lugar Solo Profissional Taksim) e Isis Mahasin (1º Lugar Solo Profissional Moderno).

 

Giselle Bellas: https://lojashimmie.com.br/index.php/2020/04/30/giselle-bellas/

Isis Mahasin: https://lojashimmie.com.br/index.php/2020/04/30/isis-mahasin/