Nos artigos anteriores falamos de verbos e de pronomes pessoais, inclusive até já formamos algumas frases. Assim, já sabemos nos referir às pessoas e nos colocar no mundo; agora é hora de aprendermos a nos referir às coisas e a fazer perguntas, afinal, o que seria dos detetives e investigadores sem os pronomes interrogativos? Se essa não é uma de suas ambições, tudo bem… eles também são essenciais para nosso velho vocabulário de fofoca!
Vamos aprender primeiro a nos referir às coisas. Usar os pronomes demonstrativos em árabe não tem muito segredo, mas há alguma diferença no uso deles na língua padrão e nas variações dialetais com relação à sua forma e à ordem em que são usados. Para facilitar, vamos nos focar no dialeto egípcio e vamos usar as palavras bint (menina), banat (meninas), kitab (livro), kutub (livros), ismu/isma (nome) e hafla (festa) para os exemplos. Veja abaixo:

Pronomes Árabe Padrão Árabe Egípcio
Esse/Isso Haḏa al-kitab Al-kitab da
Essa Haḏihi al-bint Al-bint di
Aquele/Aquilo Dalika al-kitab
Aquela Tilka al-bint
Esses/Essas Ha’ula al-kutub Al-kutub dool
Aqueles/Aquelas Aula’ika al-banat Al-banat dool

 

No dialeto egípcio, é como se disséssemos “o livro este” ou “a menina esta”, ou seja, assim como ocorre em outros dialetos, o substantivo vem para o começo e o demonstrativo vai para o final. Além disso, o pronome contrai, sobrando somente a sílaba final, e o som ḏ (semelhante ao som do th em inglês) passa a ser o de um “d” normal.
Passemos, então, para a parte de fazer perguntas. Não há muito segredo – no final você vai ver que já conseguiremos formular mais algumas frases. Os pronomes interrogativos, no árabe padrão, vêm no começo da frase, como em português. Já no dialeto egípcio eles vêm no final, assim como os pronomes demonstrativos. Os pronomes interrogativos são os seguintes:

Pronome Árabe Padrão Árabe Egípcio
O que?/Qual Maḏa/ ma? Êh? 1
Por quê? Limaḏa? Leih?
Onde? Aina? Fiin? 2
Como? Keifa? Izai? 3
Quem? Man? Miin?
Quando? Mata? Imta?

1. No dialeto libanês usa-se “shu”.
2. Aqui o libanês vai usar “wayn”.
3. Aqui também há uma boa diferença com relação ao dialeto libanês que usa “kiif”.

Agora vamos relembrar o que aprendemos nos outros artigos: levando em consideração que os verbos “ser” e “estar” no presente ficam ocultos, vamos formar as seguintes frases, primeiro em padrão e depois em dialetal egípcio:
1. Onde está esse livro?
2. Quem é ele?
3. Qual é seu nome?
4. Quando é a festa?
5. O que é isso?

 

 

Prontos para a resposta?
1. aina haḏa al-kitab? – al-kitab di fiin?
2. man huwa? – huwa miin?
3. ma ismuka – ismak êh?4
4. mata al-hafla? – al-hafla imta?
5. ma haḏa? – êh da?

Eu sei que é bastante informação, mas com paciência e força de vontade a gente aprende. Vejo vocês no próximo artigo. Até lá!

4. Sim, aqui há uma diferença nas vogais entre os dois níveis de linguagem, mas este é um assunto complexo para uma outra oportunidade.

 

Tradução

Por Julia C. Rodrigues

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